terça-feira, 27 de novembro de 2012

Equoterapia


A equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais.

A equoterapia pode ser uma terapia principal ou complementar, dependendo da patologia. O tratamento equoterápico pode proporcionar uma reabilitação global, uma vez que o individuo tenha acesso a uma ajuda psicológica e psicossomática, assim como a fisioterapia sobre o cavalo. A equoterapia também favorece a reintegração social, que é estimulada pelo contato do individuo com outros pacientes, com a equipe e com o animal, aproximando-o, dessa maneira, cada vez mais, da sociedade na qual convive.

Essa terapia fundamentada no movimento tridimensional da andadura ao passo do cavalo proporcionando ao corpo do praticante montado deslocamentos para frente para trás, para um lado para o outro e para cima e para baixo, associado a movimentos de cintura pélvica do praticante.

Histórico

No Brasil, a partir dos anos 80, quando foi criada a ANDE-Brasil (Associação Nacional de Equoterapia) o tratamento tomou maior impulso, mas somente nos últimos seis anos é que se pode notar o verdadeiro crescimento desta modalidade terapêutica, haja vista o número crescente de centros de equoterapia em todo território nacional.

A Equoterapia foi reconhecida como pelo Conselho Federal de Medicina há mais de quinze anos, sendo implantada como estratégia terapêutica obedecendo à legislação brasileira das áreas de Saúde. É um método técnico e científico com excelentes benefícios para a saúde.

O primeiro passo foi à criação da Associação Nacional de Equoterapia – ANDE BRASIL, em 10 de maio de 1989, que é uma sociedade civil caráter filantrópico, terapêutico, educativo, cultural, desportivo e assistencial sem fins lucrativos, com atuação em todo o território brasileiro, tendo sede e foro em Brasília – Distrito Federal.
A instituição apresenta como normas:

- Contribuir para a reabilitação e educação de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais;
- Colocar ou colaborar com entidades e órgãos não governamentais;
- Captar recursos;
- Estimular implantação da Equoterapia;
- Estabelecer convênios.

  A Equoterapia só pode ser feita após a avaliação médica, psicológica e fisioterapêutica e é desenvolvida por equipe multidisciplinar. O acompanhamento do paciente é individual, devendo ser sempre registrado por cada profissional.

Benefícios obtidos com o movimento do cavalo

       O movimento ao qual o paciente é submetido é o movimento do cavalo, este atua diretamente no cérebro e em seguida reflete no corpo inteiro, pois o comando é direcionado ao ajuste da postura. Este fato é a explicação da utilização do cavalo como um método terapêutico. Sendo assim, é válido ressaltar sua contribuição para o desenvolvimento do equilíbrio, tônus, força muscular, a conscientização do próprio corpo, o aperfeiçoamento da coordenação motora, atenção, autoconfiança e autoestima dos praticantes.

    O uso de cavalos nos tratamentos procura atingir vários objetivos motores, cognitivos e afetivos. O andamento do cavalo e a exatidão dos movimentos são de grande importância para o sucesso da equoterapia. O passo do cavalo se classifica como a andadura mais importante na equoterapia, pois com ele o animal transmite ao cavaleiro uma serie de movimentos sequenciados e simultâneos resultando assim em um movimento tridimensional, que consiste nas direções: vertical (para cima e para baixo), horizontal ( para esquerda e para direita) e longitudinal ( para frente e para trás). Nesse andamento os movimentos proporcionados aos pacientes, ocorrem da mesma forma em ambos os lados, por isso este é nomeado simétrico.

O passo do cavalo, que determina uma ação tridimensional de seu dorso e a repetição desses movimentos de 1 a 1,5 por segundo, proporciona entre 1.800 a 2.250 ajustes tônicos em meia hora, que é o tempo médio de duração de uma sessão de equoterapia. Esse ajuste tônico ritmado resulta em uma mobilização osteoarticular que determina um número impressionante de informações proprioceptivas. Esse sistema promove as percepções (propriocepção), consciente e inconsciente das diferentes partes do corpo.

    O trote também é considerado simétrico, porém é saltado e simultâneo, onde se escutam duas batidas entre a elevação de cada bípede diagonal e ao retorno de apoio ao solo. Em contrapartida, o galope é um andamento assimétrico, conferindo assim, movimentos diferenciados para cada lado corporal.

Objetivos da terapia

O programa de equoterapia passa a ser caracterizado pelo benefício biopsicossocial as crianças portadoras de necessidades especiais. Trata-se enfim, de uma atividade que exige a participação ativa, passiva e ativo-assistida dos praticantes, beneficiando o desenvolvimento global daqueles que recebem os estímulos advindos dos movimentos do cavalo.

Os deslocamentos da cintura pélvica produzem vibrações nas regiões articulares que são transmitidas pelo cérebro via medula com frequência de 180 oscilações por minuto, o que já foi apontado como adequado à saúde.

A terapêutica da Equoterapia começa a acontecer no momento em que o aluno entra em contato com o animal. Inicialmente, o cavalo representa um problema novo com o qual o praticante terá que lidar, aprendendo a maneira correta de montar ou descobrindo meios para fazer com que o animal aceite seus comandos (como, por exemplo, levá-lo aos lugares em que deseja ir). Essa relação, por si só, já contribui para o desenvolvimento da sua autoconfiança e afetividade, além de trabalhar limites, uma vez que nessa interação existem regras que não poderão ser infringidas.

A criança será mais beneficamente estimulada, de acordo com a sua incapacidade, quanto maior for a criatividade do terapeuta, sempre dentro dos limites que a técnica impõe. Portanto, acredita-se que a intervenção através da equoterapia na criança com necessidades especiais pode proporcionar benefícios como melhora dos padrões motores, melhorando assim seu desempenho funcional e o alinhamento postural.

A equoterapia auxilia na aquisição e desenvolvimento das áreas sensório-motoras e das funções neuromotoras cerebrais, exigindo da criança planejamento e criação de estratégias, desenvolvendo e/ou potencializando as habilidades motoras.

Os efeitos terapêuticos que podem ser alcançados com a equoterapia são de quatro ordens.

 a) melhoramento da relação: considerando os aspectos da comunicação, do autocontrole, da autoconfiança, da vigilância da relação, da atenção e do tempo de atenção;
   b)   melhoramento da psicomotricidade: nos aspectos do tônus, da mobilidade das articulações da coluna e da bacia, do equilíbrio e da postura do tronco ereto, da obtenção da lateralidade, da percepção do esquema corporal, da coordenação e dissociação de movimentos, da precisão de gestos e integração do gesto para compreensão de uma ordem recebida ou por imitação;
 c) melhoramento de natureza técnica: facilitando as diversas aprendizagens referentes aos cuidados com os cavalos e o aprendizado das técnicas de equitação;
 d) melhoramento da socialização: facilitando a integração de indivíduos com danos cognitivos ou corporais com os demais praticantes e com a equipe multidisciplinar.

O programa
       A realização das sessões de equoterapia dá-se em local amplo, ao ar livre e na companhia de um animal dócil. O praticante desperta sua imaginação e criatividade, o que facilita a abordagem lúdica. No picadeiro deve-se ter espaço disponível para a prática de atividades variadas e dispor de diferentes materiais para auxiliar a execução destas atividades, tornando-as mais atrativas e potencializando os objetivos almejados.

     Antecedendo as sessões de equoterapia, necessita-se que todos os profissionais atuantes realizem uma avaliação técnica individual de todos os futuros praticantes, pois as necessidades especiais são diversas e cada qual se enquadra em determinado tipo de programa existente na equoterapia.

    Existem três programas básicos que constituem a equoterapia: hipoterapia, educação/ reeducação e pré-esportivos.

    A Hipoterapia é um programa essencialmente de reabilitação, voltado para as pessoas portadoras de deficiência física e/ou mental. Geralmente o praticante não tem condições físicas e/ou mental para se manter sozinho a cavalo. Necessita de um auxiliar-guia para conduzir o cavalo e de um auxiliar-lateral para mantê-lo montado, dando-lhe segurança.

     A ação é dos profissionais da área da saúde, precisando de um terapeuta ou mediador, a pé ou montado, para execução dos exercícios programados. O cavalo é usado principalmente como instrumento cinesioterapêuticos.

    Enquadram-se no programa de educação/reeducação, aqueles que possuem razoavelmente autonomia sobre o animal e até conseguem conduzi-lo, possuindo assim certa independência e por isso necessitando menos do auxílio do seu guia. Neste caso, o cavalo atua como um instrumento pedagógico, obtendo a função de motivar o paciente e trabalhar sua coordenação motora.

      Existe uma ação maior dos profissionais de equitação, embora os exercícios devam ser programados por toda equipe, segundo os objetivos a serem alcançados. O cavalo ainda proporciona benefícios pelo seu movimento tridimensional e o praticante passa a interagir.

    A equitação desenvolve com mais harmonia o equilíbrio, a coordenação motora, a agilidade, a destreza, dá um sentimento de força física aumentando a autoconfiança. Por tudo isso a equitação constitui-se em importante instrumento de educação e formação de caráter dos jovens, desde que ministrada de forma didático pedagógica e por instrutor credenciado.

      O programa pré-esportivo é especifico para pessoas totalmente independentes, ou seja, não necessitam de mínimo auxílio para lidar com o animal e executar os exercícios. Sendo assim, estas se tornam aptas a participar de exercícios específicos de hipismo. Então, nesse tipo de terapia, o cavalo se dispõe como um instrumento de inserção social, contribuindo especificamente para a melhora do comportamento, comunicação e interação com a sociedade.

Composição da equipe profissional

A prática da equoterapia é realizada por equipe multiprofissional que atua de forma interdisciplinar. A equipe deve ser a mais ampla possível, composta por profissionais das áreas de saúde, educação e equitação, especializados na reabilitação e/ou educação de crianças com deficiências e/ou necessidades especiais, tais como: fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, professor de educação física, pedagogo, fonoaudiólogo, assistente social e outros.

Na composição da equipe multiprofissional levamos em consideração que toda a equipe atua em todos os programas de forma direta ou indireta, na qual possui responsabilidades adversas, tais como: identificação do programa e sua respectiva finalidade e os objetivos a serem alcançados.

  Há também a necessidade de médicos que atuem como orientadores, onde fará a avaliação clínica e dará respaldo à equipe em todos os aspectos clínicos e em particular na alta do praticante. Para acompanhar a evolução do trabalho e avaliar os resultados obtidos, deve haver registros periódicos das atividades desenvolvidas com os praticantes.

    A segurança física dos praticantes deve ser uma constante preocupação de toda a equipe, tendo em vista:
·   O comportamento e medos do cavalo, onde possa ocorrer situações indesejadas, por exemplo em bola arremessada ou um tecido esvoaçante onde o animal possa se assustar;
· A segurança do equipamento de montaria, verificar particularmente selas e correias, presilhas, estribos, manta, para que o praticamente sinta total confiança no equipamento;
· A vestimenta do cavaleiro, principalmente nos itens que possa trazer desconforto ou riscos de outra natureza;
· O local das sessões onde possam ocorrer ruídos que podem assustar o animal e ocasionar algum tipo de acidente.

Os benefícios da fisioterapia na equoterapia em crianças com deficiência física

Na equoterapia, a fisioterapia encara o cavalo como instrumento cinesioterapêutico no atendimento de pessoas portadores de deficiências e/ou com necessidades especiais, para uma melhora motora do alinhamento corporal, para o controle das sinergias globais, para o aumento do equilíbrio estático e dinâmico. Sendo o fisioterapeuta o profissional generalista, habilitado à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de problema físico funcionais, trabalhando com métodos que utilizam recursos físicos, com a finalidade de restaurar, de desenvolver e de conservar a capacidade corpórea humana na equoterapia, ocorre o movimento que pode ser conduzido de forma terapêutica, ou seja, a cinesioterapia.

A recuperação da independência funcional após um problema neurológico é um processo complexo, que exige a reconquista de muitas capacidades. Uma vez que o controle da posição do corpo no espaço é uma parte essencial para a função.

O benefício de ajuste na tonicidade muscular, do movimento automático de adaptação corporal e o controle postural da cabeça e do tronco são decorrentes do ritmo de deslocamento do cavalo ao passo. A adaptação ao ritmo do cavalo é uma das peças mestras da Equoterapia, promovendo uma mobilização ósteo-articular, contração e descontração dos músculos agonistas e antagonistas.

Indicações

   As indicações de atendimento equoterápcio envolvem uma diversidade de patologias que necessitam obter ganhos físicos, psíquicos, educacionais e sociais.

Deficiências sensoriomotoras: tipos clínicos de paralisia cerebral, déficits sensoriais, atraso maturativo, síndromes neurológicas (Down, West, etc.), acidente vascular cerebral, traumatismo cranioencefálico, entre outras.

Distúrbios psicossociais: autismo, hiperatividade, deficiência mental, dificuldade do aprendizado, alterações do comportamento e psicoses infantis.

A equoterapia também é indicada no tratamento nos mais diversos tipos de patologias ortopédicas: Problemas Posturais: cifose, lordose, escoliose; Doenças do crescimento; Má formação da coluna; Acidentes com sequela de fraturas e pós-cirúrgicos; Amputações; Artrite Reumatoide; Artroses; Espondilite Anquilosante; Dismorfismos esqueléticos; Subluxações de ombro ou quadril.

Contraindicações

·         Excessiva lassidão ligamentar das primeiras vértebras cervicais (atlas - axis) ex. Epilepsia não controlada;
·         Portadores de síndrome de Down com menos de três anos;
·        Portadores de síndrome de Down com instabilidade atlantoaxial e com sinais neurológicos avaliados por um profissional com formação médica adequada;
·         Cardiopatias agudas;
·         Instabilidades da coluna vertebral;
·         Graves afecções da coluna cervical como hérnia de disco;
·         Luxações de ombro ou de quadril;
·         Escoliose em evolução, de 30 graus ou mais;
·         Hidrocefalia c/ válvula;
·         Processos artríticos em fase aguda;
·       Úlceras de decúbito na região pélvica ou nos membros inferiores;
·         Epífises de crescimento em estágio evolutivo;
·   Doenças da medula com o desaparecimento de sensibilidade dos membros inferiores (todavia, são conhecidos vários casos de paraplégicos que continuam a praticar a equoterapia);
·     Pacientes com comportamento autodestrutivo ou com medo incoercível;
·         Hemofílicos e Leucêmicos (dependo do caso).

      O futuro praticante de equoterapia deverá passar por uma avaliação clínica, pelo seu próprio médico ou pelo médico da equipe que irá atendê-lo, com a responsabilidade de indicar ou contraindicar a prática de Equoterapia.

     Alguns desses casos podem praticar a equoterapia, porém com um rigoroso controle. Por esse motivo, cada contraindicação deverá ser discutida caso a caso. Como não se tem o direito de arriscar e agravar a situação do paciente com o pretexto da reeducação, a equoterapia é desaconselhada em todas as doenças na fase aguda e no caso de deficiências graves.


 Referências

1. ARAÚJO, A. R. E.A.; RIBEIRO, S. V.; SILVA, F. T. B.; A equoterapia no tratamento de crianças com paralisia cerebral no Nordeste do Brasil. Fisioterapia Brasil, 2010. Disponível em: <http://www.atlanticaeditora.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=797:fb-v11n1-artigo-1&catid=137&Itemid=71> Acesso em: 15 de Nov. 2012.

2. CAVALARI, N.; FERLINI, G. M. S.; Os benefícios da Equoterapia no desenvolvimento da criança com deficiência física. Caderno Multidisciplinar de Pós - Graduação da UCP, Pitanga, 2010. Disponível em: < http://www.ucpparana.edu.br/cadernopos/edicoes/n1v4/01.pdf> Acesso em: 23 de Out. 2012.

3. CEACERO, M. T.; OLIVEIRA, G. A. F.; OLIVEIRA, M. E.; PEREIRA, C. V.; RODRIGUES, M. L.; TEIXEIRA, B. R.; TEODORO, F. I; Equoterapia: O uso do cavalo em práticas terapêuticas. IFMG. Bambuí, 2011. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CDEQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.fisioterapia.com%2Fpublic%2Ffiles%2Fsalvar_como.php%3Ftxt_path%3Dartigo%2Fartigo65.pdf&ei=8jSxUI_9O5Lo8wTfvYCYCQ&usg=AFQjCNFablNaAMyVL9kobhQs8ntHg0fl3w&cad=rjt> Acesso em: 11 de Nov. 2012.

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