domingo, 23 de setembro de 2012

Diabetes e Gestação

 O diabetes mellitus é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia, isto é, um aumento da taxa de açúcar no sangue.
É a doença médica mais comumente encontrada durante a gestação, sendo responsável por índices elevados de morbimortalidade perinatal, especialmente devido aos fetos muito grandes (macrossômicos) e a presença de malformações fetais. A incidência de anomalias congênitas em crianças de mães diabéticas está relacionada com a presença de níveis aumentados de glicose no início da gestação.
Na gravidez, duas situações envolvendo o diabetes podem acontecer: a mulher que já tinha diabetes e engravida ou o aparecimento do diabetes gestacional em mulheres que antes não apresentavam a doença. O diabetes gestacional é a alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece ou é diagnosticada, pela primeira vez, durante a gravidez. Pode atingir até 7% das grávidas, mas não impede uma gestação tranqüila, quando é diagnosticado precocemente e recebe acompanhamento médico, durante a gestação e após o nascimento do bebê.
Várias são as mudanças metabólicas e hormonais que ocorrem na gestação. Uma delas é o aumento da produção de hormônios, principalmente o hormônio lactogênio placentário, que pode prejudicar - ou até mesmo bloquear - a ação da insulina materna. Para a maioria das gestantes isso não chega a ser um problema, pois o próprio corpo compensa o desequilíbrio, aumentando a fabricação de insulina. Entretanto, nem todas as mulheres reagem desta maneira e algumas delas desenvolvem as elevações glicêmicas características do diabetes gestacional. Por isso, é tão importante detectar o distúrbio, o mais cedo possível, para preservar a saúde da mãe e do bebê.
Diante de tantos riscos potenciais, é essencial que as gestantes façam exames para checar a taxa de açúcar no sangue durante o pré-natal. Elas devem fazer o rastreamento do diabetes entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. E as mulheres que integram o grupo de risco do diabetes devem fazer o teste de tolerância glicêmica, antes, a partir da 12ª semana de gestação. Segundo os endocrinologistas, os exames são fundamentais para um diagnóstico preciso, porque os sintomas da doença não ficam muito claros durante a gravidez. Muitos sintomas se confundem com os da própria gestação, como vontade de urinar a todo momento, sensação de fraqueza e mais apetite.

Quem corre mais risco de ter diabete gestacional?

Mulheres que já tiveram diabete gestacional antes ou que já tiveram bebês considerados grandes, correm um risco maior de ter diabete gestacional. Também elevam o risco:
• Obesidade (IMC acima de 30);
• A idade: a tendência para a diabete aumenta naturalmente com a idade; quanto mais nova a mulher, menor a chance de ter diabete gestacional;
• História familiar de diabetes insulino-dependente.

Sinais e Sintomas
Geralmente não há sintomas ou os sintomas são leves e não apresentam risco de morte para a grávida. Com frequência, o nível de açúcar (glicose) no sangue volta ao normal após o parto.
Os sintomas podem incluir:
·         Visão borrada
·         Fadiga
·         Infecções frequentes, incluindo as na bexiga, vagina e pele
·         Aumento da sede
·         Aumento da micção
·         Náusea e vômitos
·         Perda de peso, apesar do aumento de apetite


Tratamento
O tratamento do diabetes gestacional tem por objetivo diminuir a taxa de macrossomia (os grandes bebês filhos de mães diabéticas) evitar a queda do açúcar do sangue do bebê ao nascer e diminuir a incidência da cesareana. Para a mãe, além de aumento do risco de cesareana, o diabetes gestacional pode estar associado à toxemia, uma condição da gravidez que provoca pressão alta e geralmente pode ser detectado pelo aparecimento de um inocente inchaço das pernas, mas que pode evoluir para a eclâmpsia, com elevado risco de mortalidade materno-fetal e parto prematuro.
Diagnosticado o diabetes gestacional, a gravidez precisa ser cercada de novos cuidados. O tratamento inicial consiste em estabelecer uma dieta adequada para controlar a glicemia da mãe, proporcionando um adequado aporte nutricional para o feto. Para muitas mulheres, a terapia nuticional é suficiente para manter a glicemia dentro dos valores recomendados pelo médico. Na gravidez, a mulher deve ganhar um mínimo de peso, em geral entre 10 e 12 quilos, para mulheres que estão com o peso adequado.
A realização de uma atividade física de baixa intensidade deve ser incentivada. E o controle glicêmico deve ser realizado através da monitorização domiciliar das glicemias capilares.
Caso haja dificuldade para atingir resultados satisfatórios somente com a dieta e os exercícios físicos, há ainda a terapia insulínica, como uma alternativa de tratamento. Ele geralmente está indicado quando as taxas de glicose em jejum ficam acima de 105 mg/dl e as taxas de glicose medidas 2 horas após as refeições acima de 130 mg/dl. É comum haver a necessidade de aumento das doses de insulina no final da gravidez, a partir do terceiro trimestre, porque a resistência à insulina, geralmente, aumenta neste período.
O emprego de anti-diabéticos orais na gravidez é contra-indicado, assim como deve ser evitado o uso de adoçantes à base de sacarina.

Gestação e parto

A presença da diabetes determina uma gestação de risco. À medida que avança a gravidez, o controle obstétrico passa a ser semanal, pois há um aumento na incidência de alterações hipertensivas e um risco aumentado de morte fetal.
A via do parto é uma decisão obstétrica, sempre levando em conta o histórico da paciente, o controle metabólico e a estimativa do peso fetal, lembrando que o parto vaginal com fetos grandes está associado a um risco aumentado de distorcia de ombro e de lesão traumática do parto.
O aleitamento natural deve ser estimulado, mesmo que o bebê apresente maiores dificuldades em estabelecer a amamentação.

Controle da doença

Após o parto, geralmente o diabetes desaparece, mas essas pacientes têm grande risco de sofrerem o mesmo transtorno em gestações futuras e 20-40% de chance de se tornarem definitivamente diabéticas nos próximos 10 anos. Além das complicações no pós-parto imediato, estudos demonstraram que os fetos macrossômicos têm risco aumentado de desenvolverem obesidade e diabetes durante a adolescência, por isso, os cuidados com a alimentação prosseguem após o parto, para mãe e filho.


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