sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Avaliação Uroginecológica em Fisioterapia

A avaliação fisioterapêutica em uroginecologia deve respeitar os princípios básicos que  sugerem a cautela ao lidar com o paciente, pois este geralmente apresenta um certo pudor em relação à sua condição.
É importante respeitar a sensibilidade do paciente, especialmente aqueles vítimas de abuso sexual, informar o papel da fisioterapia no tratamento em urogineco, fortalecer os vínculos de confiança entre o fisioterapeuta e o paciente e traçar um plano de tratamento adequado às suas necessidades. Para isso, deve ser realizada uma anamnese criteriosa.

Anamnese

Na anamnese deve ser recolhido os seguintes dados:
  • Nome
  • Sexo
  • Idade
  • Endereço
  • Telefone
  • Profissão
  • Condição de saúde
  • Queixa principal
  • Antecedentes gineco-obstetrícios: informar o número de partos, abortamentos, tipo de parto.
  • Atividade sexual
  • Expectativas do paciente em relação ao tratamento

Exame Físico

No exame físico deve ser feita a inspeção e a palpação da região do assoalho pélvico para verificar a condição do paciente. Para isso, o paciente deve estar na posição ginecológica: em decúbito dorsal, com os joelhos e quadril fletidos e em abdução, pés apoiados sobre a maca.  
  1. Inspeção: na inspeção devem ser verificados a pele do paciente, se há ou não presença de feridas, se está hiperemiada,  presença de distopias, contração perineal à tosse, entre outros. 
  2. Palpação: devem ser analisadas na palpação a presença de aderências, a sensibilidade, força, a contração, o trofismo muscular. Para essa avaliação,  o paciente deve estar em posição ginecológica. O fisioterapeuta com as mãos enluvadas e lubrificadas utiliza o 2º e 3º quirodáctilos (dedos), penetrando-os de 3cm a 4cm no canal vaginal.
Na avaliação da força muscular, podem ser utilizadas a escala de Ortiz e o esquema PERFECT: 
  • Escala de Ortiz:
- Grau 0: função perineal objetiva ausente, nem mesmo sentida à palpação.
- Grau 1: função perineal objetiva ausente, somente sentida à palpação.
- Grau 2: função perineal objetiva débil, reconhecida à palpação.
- Grau 3: função perineal objetiva presente, mas com força opositora não mantida a palpação.
- Grau 4: função perineal objetiva presente, com força opositora mantida à palpação por mais de 5 segundos. 
  • Esquema PERFECT:
- P (força muscular): avalia a intensidade da contração do assoalho pélvico.
Grau 0: sem contração muscular
Grau 1: esboço de contração muscular, mas sem sustentação
Grau 2: contração muscular de pouca intensidade, mas que se sustenta
Grau 3: contração moderada
Grau 4: contração satisfatória
Grau 5: contração forte.
- E (manutenção da contração): avalia fibras de contração lenta (tipo I). Paciente precisa manter a contração por 10" (segundos) ou mais.
- R (repetição de contrações mantidas): nessa, o paciente necessita realizar contrações de 5", tendo repouso de 4", mas sem alterar a intensidade.
- F (contrações rápidas): avalia fibras de contração rápida (tipo II). É contado o número de contrações em 1". 
- E / C / T: monitoriza todas as contrações realizadas.


Para avaliar  o trato urinário, pode ser feita a avaliação através do STOP TEST. Esse teste é realizado pedindo que o paciente interrompa a micção uma ou duas vezes 5" após o seu início.
Grau 0: não consegue interromper o jato urinário
Grau 1: interrompe o jato parcialmente, mas não consegue mantê-lo
Grau 2: interrompe o jato parcialmente, mas só consegue mante-lo por curto período de tempo
Grau 3: interrompe totalmente o jato, mas mantem um tônus muscular fraco
- Grau 4: interrompe totalmente o jato, mas mantem um tônus muscular bom
- Grau 5: interrompe totalmente o jato, mas mantem um tônus muscular forte.



 

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