quarta-feira, 2 de maio de 2012

Hérnia de Disco Lombar

Barros apud. Negrelli (2001) descreve hérnia de disco como um processo em que há ruptura do anel fibroso por um deslocamento de líquido do núcleo pulposo. Ao migrar do centro do disco para a periferia, o líquido promove compressão das raízes nervosas.

 A hérnia de disco é resultado de pequenos ou de grandes traumas na região da coluna, sendo a flexão anterior e a compressão axial os movimentos que mais afetam a integridade do disco (Gabriel et al., apud. Carvalho, 2001). 

O extravasamento do líquido através do anel fibroso pode ocorrer em diferentes direções. Levando em consideração as compressões axiais, a hérnia de disco com deslocamento de liquido anterior é rara, enquanto a posterior é a mais comum de todas. A classificação segundo os efeitos da compressão axial são descritas por Kapandji (2007) em:
  1. Intra-esponjosa; quando o anel fibroso é resistente a ponto de destruir a face intervertebral do corpo vertebral (fig. 1-1);
  2. Por degeneração; ocorre por um desgaste natural das lamelas do anel fibroso a partir dos 25 anos, resultando em rupturas nas diversas camadas do anel fibroso, onde o líquido do núcleo pulposo se difunde (fig. 1-2).
  3. Póstero-lateral; ocorre nos casos em que há extravasamento do núcleo pulposo sobre o anel fibroso, e esse líquido é bloqueado pelo ligamento longitudinal posterior, podendo ele, deslizar superior ou inferiormente (fig. 1-3) ou; quando o líquido pulposo rompe o ligamento longitudinal posterior podendo atingir as raízes nervosas que saem pelo canal vertebral (fig. 1-4). O ligamento longitudinal posterior trata-se de um ligamento laminar localizado no interior do canal vertebral mais posteriormente aos corpos vertebrais.



Fig. 1: Hérnia de disco por compressão axial.
Fonte: Kapandji, 2007 (modificada).


O diagnóstico para hérnia de disco é clínico, onde o paciente costuma apresentar dor, alterações da postura e limitação da mobilidade da coluna, principalmente para flexão anterior. Porém, torna-se fundamental também o uso de exames de imagem para confirmar e localizar a herniação. Para obtenção desses resultados, o padrão ouro é a ressonância nuclear magnética (RNM) (DIAS et al., 2001). 

Na hérnia de disco lombar as regiões mais afetadas costumam ser entre L5 e S1, seguidas por L4 e L5, onde a primeira raiz sacral e a quinta lombar estão frequentemente envolvidas. Na avaliação do paciente com hérnia de disco lombar, podemos encontrar além dos sinais e sintomas comuns a todos os pacientes com herniação, dor na região do quadril, da virilha, da panturrilha, da coxa e do dorso e dedos do pé devido à lesão na quinta raiz lombar, parestesias, ciatalgias, espasmos musculares, entre outros.

Para um diagnóstico diferencial é necessário que o paciente com hérnia de disco lombar tenha dificuldade na realização do movimento de flexão anterior, mas que sua inclinação lateral esteja preservada. Além disso, alguns testes podem ser utilizados, entre eles o teste de Lasègue, também conhecido como teste da perna estendida (SKARE, 2007). Nele, o paciente é posicionado sobre a maca em decúbito dorsal com o quadril e joelhos estendidos. O terapeuta eleva uma das pernas, enquanto mantêm o posicionamento inicial do joelho. Para que o teste dê positivo, o paciente deve queixa-se de dor, que indica lesão de disco intervertebral e; o teste de Valsalva, que dentre as muitas finalidades pode ajudar a diagnosticar também a hérnia de disco. O paciente é colocado em sedestação, o terapeuta se posiciona próximo a ele e pede uma inspiração profunda e sustentada enquanto faz pressão para baixo como para esvaziar o intestino (KONIN et al., 2007).

O tratamento da hérnia de disco pode ser conservador ou cirúrgico. O tratamento cirúrgico é pouco utilizado, mas consiste numa laminectomia, isto é, a liberação da medula ou de raízes nervosas que estão comprimidas pela hérnia de disco. Essa cirurgia pode estar associada ou não com a retirada do disco intervertebral (discectomia). O tratamento conservador está baseado em repouso, uso de fármacos e a fisioterapia.

Dentre as diversas áreas da fisioterapia, as que mais se associam ao tratamento de paciente com hérnia de disco são a acupuntura, técnicas de terapias manuais, a quiropraxia, a hidroterapia, eletroterapia e a cinesioterapia, que está muito associada ao uso de alongamentos (DIAS et al., 2001).  


Vou ficar devendo as referências... Na próxima, posto! 

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