terça-feira, 10 de abril de 2012

Síndrome do Imobilismo

A Síndrome do Imobilismo trata-se de um conjunto de alterações que ocorrem em indivíduos que permanecem acamados por um longo período. Essas alterações podem afetar todos os sistemas do corpo e seus efeitos comprometem a funcionalidade do paciente, impedindo a interação e participação deste indivíduo na sociedade, podendo também modificar o seu estado emocional.

Para que se chegue ao diagnóstico da Síndrome do Imobilismo, deve ser levada em consideração a presença de dois critérios:
- Um critério maior, que pode ser um déficit cognitivo de médio à grave e a presença de contraturas e;
- Um critério menor, que abrange as alterações cutâneas, como a úlcera de decúbito ou pressão e descamações da pele, dificuldade de deglutir, incontinência, além de perda parcial ou total da fala e entendimento da linguagem.  O paciente é diagnosticado com essa síndrome quando apresenta um critério maior e, pelo menos, dois menores.

Geralmente, o sistema musculoesquelético é o mais acometido pelo imobilismo, seguido das alterações tegumentares, que promovem a formação de úlceras de pressão, especialmente em lugares com pouco tecido adiposo e nos locais de proeminências ósseas.

Dentre as alterações do sistema musculoesquelético pode-se citar a formação de contraturas, devido à inatividade dos músculos, principalmente os dos membros inferiores. O tecido articular e ósseo também são prejudicados pela falta de movimento. A ausência mínima de atividade articular e óssea leva a uma diminuição da produção de líquido sinovial, que é importante para a lubrificação da articulação e nutrição da cartilagem, e de massa óssea por uma manutenção da ação osteoclástica (absorção) e diminuição da ação osteoblástica (formação), que pode levar à osteoporose.

Essas alterações levam o indivíduo a ter dificuldade em executar determinadas tarefas como mudanças de decúbito, manutenção de posturas corretas e realização de atividades de vida diária (AVD’s) e instrumentais (AVDI’s).

Dentro do período de imobilidade no leito, o sistema cardiovascular também apresenta alterações em seu funcionamento, sendo que no quadro de complicações de maior relevância se encontram a hipotensão postural e a trombose venosa profunda (TVP).

Falta de apetite, diminuição de volume plasmático e da absorção de nutrientes, desidratação e dificuldade no esvaziamento da bexiga por fraqueza da musculatura do abdome e do assoalho pélvico também são manifestações presentes na síndrome do imobilismo.

No sistema respiratório, as ameaças mais comuns são a perda de trocas gasosas eficazes devido a uma alteração na relação V/Q (ventilação/perfusão), diminuição dos movimentos diafragmáticos e da musculatura intercostal por perda de força muscular, e aumento da frequência cardíaca devido a uma redução da respiração alveolar, que se torna mais superficial.

A fisioterapia pode atuar na reversão dos sintomas da síndrome do imobilismo através da redução da dor; manutenção da força muscular e exercícios de amplitude de movimento, evitando encurtamentos musculares, atrofias e contraturas; estimulação às mudanças de decúbito, independência nas AVD’s e deambulação; auxílio na resolução de patologias pulmonares e orientações para a prevenção de complicações circulatórias, formação de edema e escaras, além de reeducação postural.
















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