domingo, 1 de abril de 2012

Biologia, Anatomia e Fisiologia do Envelhecimento

 Ao contrário da doença, que necessita de um agente etiológico para produzir disfunção nos sistemas do corpo, o envelhecimento é um processo inevitável e irreversível, em que os órgãos e tecidos passam a sofrer alterações fisiológicas naturais. 
O envelhecimento é um processo lento, que não ocorre simultaneamente para todos os tecidos. Ele está intimamente ligado a fatores hereditários, bem como ao estilo de vida de cada indivíduo. Sua profissão, hábitos alimentares, condição socioeconômica, educação, lazer influenciarão de forma significativa para uma velhice positiva. 


Envelhecimento Celular


O envelhecimento é resultado de alterações que se processam em todos os níveis celulares. Moléculas, células, tecidos gradativamente, de acordo com suas particularidades, vão perdendo a capacidade de se adaptar e de reparar danos. Assim, progressivamente, o número de células funcionais no organismo, cai.

Teorias do Envelhecimento

  1. Teoria telomérica do envelhecimento: Essa teoria explica que em cada cromossomo humano existe uma estrutura responsável por impedir a união entre eles, que é chamada de Telômero. Após a duplicação do cromossomo, esse telômero encurta progressivamente. Ainda assim, existem um porcentagem reduzida de células que conseguem restaurar a sua composição. A teoria telomérica diz que o comprimento do telômero pode ser o responsável por um aumento de divisões celulares.  Dessa forma, os cromossomos se tornem instáveis e a célula entre em falência e morra.
  2. Teoria do entrelaçamento cruzado: Ocorrem por alterações em moléculas situadas intra e extracelular. Essas moléculas se entrelaçam covalentemente, impedindo processos metabólicos com liberação de hormônios importantes das células. Acredita-se que o primeiro acontecimento que produz mudanças para o processo de envelhecimento seja o esse entrelaçamento.
  3. Teoria imunológica do envelhecimento: Apresenta duas situações: a primeira, diz que há uma falha das bases celular e humoral que resultam em deficiência e posteriormente,  decadência do sistema imune. O segundo ponto, expressa respostas imunológicas inadequadas, que levam o organismo a reconhecer suas próprias células como inimigas. Essa teoria está associada a alterações na função dos linfócitos T e do timo, o  órgão responsável por sua produção.
  4. Teoria dos radicais livres: As células aqui estão expostas a reações ionizantes e não-ionizantes e, a reações enzimáticas que levam a uma diminuição de oxigênio e água, e consequente produção de radicais livres. Os radicais livres atuam atingindo  células e tecidos constantemente promovendo a sua oxidação.



Alterações da pele na velhice


A pele é o maior órgão do nosso corpo, e a primeira a dar os sinais de envelhecimento. Hábitos de vida saudáveis, como uma boa alimentação e o uso constante do filtro solar, por exemplo, podem contribuir para o retardo desse envelhecimento.
As principais alterações na epiderme, derme e hipoderme são: 
- Hiperpigmentação
- Atrofia e afinamento da pele
- Enrugamento
- Diminuição de melanócitos
- Diminuição de glândulas sebáceas e sudoríparas
- Queratose seborréica (descamações na pele)
- Diminuição da elasticidade
- Diminuição da absorção de água pela pele 
- Desidratação etc.

Alterações dos pelos na velhice


Dentre as principais alterações, podemos citar:
- Alteração na coloração, que passa a ser cinza ou branca
- Diminuição da capacidade de crescimento do pelo
- Queda dos pelos. Nos homens, exceto do nariz, orelha e sobrancelhas; nas mulheres, exceto no queixo e acima do lábio superior.

Alterações das unhas na velhice


- Enfraquecimento 
- Escamação
- Perda do brilho
- Dificuldade de crescimento.

Alterações hídricas e de temperatura


- Redução da capacidade de absorção de fluidos
- Diminuição dos reflexos de fome e sede
- Dificuldade de adaptação à mudanças repentinas de temperatura, diminuição de sudorese, dificuldade em manter a temperatura corporal.

Percepção dolorosa na velhice


Na velhice, a percepção dolorosa fica mais aguçada devido a uma musculatura mais fraca e a uma pele mais fina. Porém, com o tempo a sensibilidade tátil é alterada, gerando uma redução da percepção dolorosa. Patologias como o diabetes mellitus,  em que há uma alteração periférica de sensibilidade, podem ser um bom exemplo desse tipo de alteração.

Envelhecimento ósseo


Como o tempo, a absorção de cálcio e vitamina D, importantes no processo de crescimento ósseo, diminui, assim como a ação dos osteoblastos, células responsáveis pela formação óssea. Porém, os osteoclastos (células de absorção), se mantêm em sua função. É por isso que os osso se tornam mais porosos, correndo o risco de quebrarem. A primeira estrutura óssea a sofrer alterações é o osso trabecular. Logo em seguida, o osso cortical entra em declínio. 
Quanto maior for a inatividade física do indivíduo, maiores serão as
alterações ósseas na velhice. Consequentemente, maior será o risco de morte por queda com fratura. 

Alterações da cartilagem articular


A cartilagem é uma estrutura muito importante para o movimento articular, pois promove o amortecimento de impacto e o deslizamento de uma estrutura óssea sobre a outra, evitando fricções. O envelhecimento altera a agregação de proteoglicanos e colágeno tipo II, associado a uma menor resistência mecânica da cartilagem articular, levando a:
- Fibrose articular
- Diminuição da absorção de impacto
- Diminuição da produção de líquido sinovial, que é o responsável por nutrir a articulação e lubrificar a cartilagem
- Aumento de fibronectina, que deixa a articulação mais fibrótica.

Alterações musculoesqueléticas na velhice


Com a velhice, as alterações musculoesqueléticas mais visíveis são:
- Diminuição de força
- Diminuição da capacidade elástica das fibras
- Diminuição da condução nervosa
- Rigidez
- Perda de massa muscular etc.
Esses fatores podem estar associados tanto a alterações hormonais, quanto a alterações neurológicas, metabólicas, endócrinas nutricionais.

Alterações do sistema cardiovascular na velhice


- Hipertrofia do ventrículo esquerdo
- Aumento da espessura da aorta
- Fibrose, perda da elasticidade das  túnicas média e interna
- Diminuição do débito cardíaco, frequência cardíaca
- Diminuição da complacência cardíaca
- Alterações da condução elétrica do coração, podendo haver alteração no seu ritmo etc.

Alterações do sistema respiratório

- Alterações posturais, que promovem uma diminuição da capacidade de expansão da caixa torácica, bem como a compressão do diafragma e músculos acessórios da respiração
- Fibrose da cartilagem
- Alteração do diâmetro da caixa torácica
- Aumento do espaço morto anatômico
- Alterações no reflexo da tosse, dificultando a limpeza brônquica
- Apnéia do sono  etc.

Envelhecimento do sistema gastrointestinal


Dentre os comprometimentos desse sistema, temos:
- Diminuição da produção de sulco gástrico
- Alterações da arcada dentária, que dificultam a mastigação
- Fraqueza da musculatura da deglutição
- Diminuição e engrossamento da saliva
- Dificuldade na eliminação de fezes (obstipação), entre outros.

Alterações do sistema urinário


- Diminuição da capacidade da bexiga, que de 600ml passa a guardar 250ml de urina
- Diminuição da capacidade elástica da bexiga
- Diminuição nefrótica
- Incontinência urinária

Envelhecimento do aparelho reprodutor feminino


Nas mulheres, as alterações mais comuns são:
- Prolapso uterino, por fraqueza da musculatura de sustentação
- Afinamento e ressecamento da parede vaginal
- Diminuição do enrugamento vaginal
- Dispareunia (dor a penetração)
- Anorgasmia (ausência de orgasmo)
- Diminuição da lubrificação vaginal
- Enrugamento dos lábios
- Diminuição da progesterona, hormônio resultante do processo de ovulação
- Após a menopausa os ovários interrompem a produção de óvulo
- Diminuição do tamanho da vagina etc.

Envelhecimento do aparelho reprodutor masculino


Um dos maiores problemas no homem é o câncer de próstata. Com a velhice, esse órgão aumenta seu tamanho, gerando uma compressão da uretra, canal por onde sai a urina. Outra alteração importante no homem é a sua capacidade de ereção. O afrouxamento do tendão entre o pênis e o púbis, diminui o ângulo de ereção do pênis a cada década.

Envelhecimento do sistema nervoso central (SNC)


- Perda de células nervosas
- Desmielinização e perda de dendritos por essas células, diminuindo a sua capacidade e velocidade de condução nervosa
- Lobo frontal, dificuldade na realização de atividades e tomada de decisão
- Lobo temporal, alterações na visão e audição
- Substância negra, alteração no tato fino
- Hipocampo, alterações de aprendizagem
- Cerebelo, alterações de equilíbrio e coordenação motora
- Córtex visual, alterações da capacidade visual por deterioração do globo ocular
- Giro cingulado anterior, alterações nessa área alteram os impulsos da emoção, entre outros.

Envelhecimento dos sentidos


  • Audição: É o primeiro sentido a envelhecer. Os ouvidos são a área responsável pela audição e manutenção do equilíbrio.
- Diminuição da acuidade auditiva, devido a alterações no nervo auditivo.

  • Visão: Entre as alterações da visão, podemos citar:
- Fraqueza da musculatura que sustenta o globo ocular, sendo            substituída por gordura
- Dificuldade em virar o olho completamente
- Diminuição das lágrimas, ressecamento dos olhos
- Diminuição da capacidade das pupilas de se destenderem e contraírem etc.

  • Paladar e Olfato: Poucas são as alterações vistas nesses sentidos:
- Alterações nas papilas gustativas
- Alterações do cheiro devido a perda de terminações nervosas do nariz
- Diminuição salivar etc.
As alterações nesses dois sentidos estão muito associadas ao histórico do idoso: abuso de álcool, tabaco etc.

Alterações posturais e na marcha do idoso


- Anteriorização de cabeça (lordose cervical)
- Cifose torácica, devido a alterações do disco intervertebral, pela redução da coluna (1cm ano) e fraqueza da musculatura da coluna
- Olhar horizontal
- Anteriorização de ombro
- Retificação da coluna lombar,
- Flexão do quadril e joelhos
- Desabamento do arco plantar etc.
Todas essas alterações da postura promovem uma alteração no centro de gravidade do corpo, promovendo uma perda do sentido de equilíbrio, contribuindo para quedas constantes. O idoso volta a andar como na infância, adquirindo postura de urso, com os pés e braços abertos para se equilibrar-se melhor.
A queda é um dos maiores fatores de limitação no idoso. Ela compromete a capacidade funcional, tornando o indivíduo ainda mais inativo.
Fatores que favorecem as quedas:
- Ambientais
- Diminuição dos reflexos
- Alterações visuais
- Alterações no equilíbrio
- Fraqueza muscular 
- Alterações na marcha etc.

Alterações do Equilíbrio no Idoso


O aparelho vestibular, situado no ouvido é o responsável pelo sentido de equilíbrio do nosso corpo. Ele é assim dividido:
- utrículo e sáculo, que fornecem o sentido de aceleração linear, isto é, o equilíbrio estático.
- canais semicirculares, responsáveis por fornecer sentido de aceleração radial e angular, isto é, equilíbrio dinâmico.
Os problemas relacionados ao sistema vestibular são:
- Dificuldade em andar em linha reta
- Dificuldade em andar no escuro, pois o aparelho visual ajuda na percepção do equilíbrio
- Vertigem (tontura) em movimentos bruscos etc.








 


Um comentário:

  1. Muito bom o conteúdo, me ajudou muito para um concurso que estou estudando!

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