terça-feira, 27 de novembro de 2012

Equoterapia


A equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais.

A equoterapia pode ser uma terapia principal ou complementar, dependendo da patologia. O tratamento equoterápico pode proporcionar uma reabilitação global, uma vez que o individuo tenha acesso a uma ajuda psicológica e psicossomática, assim como a fisioterapia sobre o cavalo. A equoterapia também favorece a reintegração social, que é estimulada pelo contato do individuo com outros pacientes, com a equipe e com o animal, aproximando-o, dessa maneira, cada vez mais, da sociedade na qual convive.

Essa terapia fundamentada no movimento tridimensional da andadura ao passo do cavalo proporcionando ao corpo do praticante montado deslocamentos para frente para trás, para um lado para o outro e para cima e para baixo, associado a movimentos de cintura pélvica do praticante.

Histórico

No Brasil, a partir dos anos 80, quando foi criada a ANDE-Brasil (Associação Nacional de Equoterapia) o tratamento tomou maior impulso, mas somente nos últimos seis anos é que se pode notar o verdadeiro crescimento desta modalidade terapêutica, haja vista o número crescente de centros de equoterapia em todo território nacional.

A Equoterapia foi reconhecida como pelo Conselho Federal de Medicina há mais de quinze anos, sendo implantada como estratégia terapêutica obedecendo à legislação brasileira das áreas de Saúde. É um método técnico e científico com excelentes benefícios para a saúde.

O primeiro passo foi à criação da Associação Nacional de Equoterapia – ANDE BRASIL, em 10 de maio de 1989, que é uma sociedade civil caráter filantrópico, terapêutico, educativo, cultural, desportivo e assistencial sem fins lucrativos, com atuação em todo o território brasileiro, tendo sede e foro em Brasília – Distrito Federal.
A instituição apresenta como normas:

- Contribuir para a reabilitação e educação de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais;
- Colocar ou colaborar com entidades e órgãos não governamentais;
- Captar recursos;
- Estimular implantação da Equoterapia;
- Estabelecer convênios.

  A Equoterapia só pode ser feita após a avaliação médica, psicológica e fisioterapêutica e é desenvolvida por equipe multidisciplinar. O acompanhamento do paciente é individual, devendo ser sempre registrado por cada profissional.

Benefícios obtidos com o movimento do cavalo

       O movimento ao qual o paciente é submetido é o movimento do cavalo, este atua diretamente no cérebro e em seguida reflete no corpo inteiro, pois o comando é direcionado ao ajuste da postura. Este fato é a explicação da utilização do cavalo como um método terapêutico. Sendo assim, é válido ressaltar sua contribuição para o desenvolvimento do equilíbrio, tônus, força muscular, a conscientização do próprio corpo, o aperfeiçoamento da coordenação motora, atenção, autoconfiança e autoestima dos praticantes.

    O uso de cavalos nos tratamentos procura atingir vários objetivos motores, cognitivos e afetivos. O andamento do cavalo e a exatidão dos movimentos são de grande importância para o sucesso da equoterapia. O passo do cavalo se classifica como a andadura mais importante na equoterapia, pois com ele o animal transmite ao cavaleiro uma serie de movimentos sequenciados e simultâneos resultando assim em um movimento tridimensional, que consiste nas direções: vertical (para cima e para baixo), horizontal ( para esquerda e para direita) e longitudinal ( para frente e para trás). Nesse andamento os movimentos proporcionados aos pacientes, ocorrem da mesma forma em ambos os lados, por isso este é nomeado simétrico.

O passo do cavalo, que determina uma ação tridimensional de seu dorso e a repetição desses movimentos de 1 a 1,5 por segundo, proporciona entre 1.800 a 2.250 ajustes tônicos em meia hora, que é o tempo médio de duração de uma sessão de equoterapia. Esse ajuste tônico ritmado resulta em uma mobilização osteoarticular que determina um número impressionante de informações proprioceptivas. Esse sistema promove as percepções (propriocepção), consciente e inconsciente das diferentes partes do corpo.

    O trote também é considerado simétrico, porém é saltado e simultâneo, onde se escutam duas batidas entre a elevação de cada bípede diagonal e ao retorno de apoio ao solo. Em contrapartida, o galope é um andamento assimétrico, conferindo assim, movimentos diferenciados para cada lado corporal.

Objetivos da terapia

O programa de equoterapia passa a ser caracterizado pelo benefício biopsicossocial as crianças portadoras de necessidades especiais. Trata-se enfim, de uma atividade que exige a participação ativa, passiva e ativo-assistida dos praticantes, beneficiando o desenvolvimento global daqueles que recebem os estímulos advindos dos movimentos do cavalo.

Os deslocamentos da cintura pélvica produzem vibrações nas regiões articulares que são transmitidas pelo cérebro via medula com frequência de 180 oscilações por minuto, o que já foi apontado como adequado à saúde.

A terapêutica da Equoterapia começa a acontecer no momento em que o aluno entra em contato com o animal. Inicialmente, o cavalo representa um problema novo com o qual o praticante terá que lidar, aprendendo a maneira correta de montar ou descobrindo meios para fazer com que o animal aceite seus comandos (como, por exemplo, levá-lo aos lugares em que deseja ir). Essa relação, por si só, já contribui para o desenvolvimento da sua autoconfiança e afetividade, além de trabalhar limites, uma vez que nessa interação existem regras que não poderão ser infringidas.

A criança será mais beneficamente estimulada, de acordo com a sua incapacidade, quanto maior for a criatividade do terapeuta, sempre dentro dos limites que a técnica impõe. Portanto, acredita-se que a intervenção através da equoterapia na criança com necessidades especiais pode proporcionar benefícios como melhora dos padrões motores, melhorando assim seu desempenho funcional e o alinhamento postural.

A equoterapia auxilia na aquisição e desenvolvimento das áreas sensório-motoras e das funções neuromotoras cerebrais, exigindo da criança planejamento e criação de estratégias, desenvolvendo e/ou potencializando as habilidades motoras.

Os efeitos terapêuticos que podem ser alcançados com a equoterapia são de quatro ordens.

 a) melhoramento da relação: considerando os aspectos da comunicação, do autocontrole, da autoconfiança, da vigilância da relação, da atenção e do tempo de atenção;
   b)   melhoramento da psicomotricidade: nos aspectos do tônus, da mobilidade das articulações da coluna e da bacia, do equilíbrio e da postura do tronco ereto, da obtenção da lateralidade, da percepção do esquema corporal, da coordenação e dissociação de movimentos, da precisão de gestos e integração do gesto para compreensão de uma ordem recebida ou por imitação;
 c) melhoramento de natureza técnica: facilitando as diversas aprendizagens referentes aos cuidados com os cavalos e o aprendizado das técnicas de equitação;
 d) melhoramento da socialização: facilitando a integração de indivíduos com danos cognitivos ou corporais com os demais praticantes e com a equipe multidisciplinar.

O programa
       A realização das sessões de equoterapia dá-se em local amplo, ao ar livre e na companhia de um animal dócil. O praticante desperta sua imaginação e criatividade, o que facilita a abordagem lúdica. No picadeiro deve-se ter espaço disponível para a prática de atividades variadas e dispor de diferentes materiais para auxiliar a execução destas atividades, tornando-as mais atrativas e potencializando os objetivos almejados.

     Antecedendo as sessões de equoterapia, necessita-se que todos os profissionais atuantes realizem uma avaliação técnica individual de todos os futuros praticantes, pois as necessidades especiais são diversas e cada qual se enquadra em determinado tipo de programa existente na equoterapia.

    Existem três programas básicos que constituem a equoterapia: hipoterapia, educação/ reeducação e pré-esportivos.

    A Hipoterapia é um programa essencialmente de reabilitação, voltado para as pessoas portadoras de deficiência física e/ou mental. Geralmente o praticante não tem condições físicas e/ou mental para se manter sozinho a cavalo. Necessita de um auxiliar-guia para conduzir o cavalo e de um auxiliar-lateral para mantê-lo montado, dando-lhe segurança.

     A ação é dos profissionais da área da saúde, precisando de um terapeuta ou mediador, a pé ou montado, para execução dos exercícios programados. O cavalo é usado principalmente como instrumento cinesioterapêuticos.

    Enquadram-se no programa de educação/reeducação, aqueles que possuem razoavelmente autonomia sobre o animal e até conseguem conduzi-lo, possuindo assim certa independência e por isso necessitando menos do auxílio do seu guia. Neste caso, o cavalo atua como um instrumento pedagógico, obtendo a função de motivar o paciente e trabalhar sua coordenação motora.

      Existe uma ação maior dos profissionais de equitação, embora os exercícios devam ser programados por toda equipe, segundo os objetivos a serem alcançados. O cavalo ainda proporciona benefícios pelo seu movimento tridimensional e o praticante passa a interagir.

    A equitação desenvolve com mais harmonia o equilíbrio, a coordenação motora, a agilidade, a destreza, dá um sentimento de força física aumentando a autoconfiança. Por tudo isso a equitação constitui-se em importante instrumento de educação e formação de caráter dos jovens, desde que ministrada de forma didático pedagógica e por instrutor credenciado.

      O programa pré-esportivo é especifico para pessoas totalmente independentes, ou seja, não necessitam de mínimo auxílio para lidar com o animal e executar os exercícios. Sendo assim, estas se tornam aptas a participar de exercícios específicos de hipismo. Então, nesse tipo de terapia, o cavalo se dispõe como um instrumento de inserção social, contribuindo especificamente para a melhora do comportamento, comunicação e interação com a sociedade.

Composição da equipe profissional

A prática da equoterapia é realizada por equipe multiprofissional que atua de forma interdisciplinar. A equipe deve ser a mais ampla possível, composta por profissionais das áreas de saúde, educação e equitação, especializados na reabilitação e/ou educação de crianças com deficiências e/ou necessidades especiais, tais como: fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, professor de educação física, pedagogo, fonoaudiólogo, assistente social e outros.

Na composição da equipe multiprofissional levamos em consideração que toda a equipe atua em todos os programas de forma direta ou indireta, na qual possui responsabilidades adversas, tais como: identificação do programa e sua respectiva finalidade e os objetivos a serem alcançados.

  Há também a necessidade de médicos que atuem como orientadores, onde fará a avaliação clínica e dará respaldo à equipe em todos os aspectos clínicos e em particular na alta do praticante. Para acompanhar a evolução do trabalho e avaliar os resultados obtidos, deve haver registros periódicos das atividades desenvolvidas com os praticantes.

    A segurança física dos praticantes deve ser uma constante preocupação de toda a equipe, tendo em vista:
·   O comportamento e medos do cavalo, onde possa ocorrer situações indesejadas, por exemplo em bola arremessada ou um tecido esvoaçante onde o animal possa se assustar;
· A segurança do equipamento de montaria, verificar particularmente selas e correias, presilhas, estribos, manta, para que o praticamente sinta total confiança no equipamento;
· A vestimenta do cavaleiro, principalmente nos itens que possa trazer desconforto ou riscos de outra natureza;
· O local das sessões onde possam ocorrer ruídos que podem assustar o animal e ocasionar algum tipo de acidente.

Os benefícios da fisioterapia na equoterapia em crianças com deficiência física

Na equoterapia, a fisioterapia encara o cavalo como instrumento cinesioterapêutico no atendimento de pessoas portadores de deficiências e/ou com necessidades especiais, para uma melhora motora do alinhamento corporal, para o controle das sinergias globais, para o aumento do equilíbrio estático e dinâmico. Sendo o fisioterapeuta o profissional generalista, habilitado à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de problema físico funcionais, trabalhando com métodos que utilizam recursos físicos, com a finalidade de restaurar, de desenvolver e de conservar a capacidade corpórea humana na equoterapia, ocorre o movimento que pode ser conduzido de forma terapêutica, ou seja, a cinesioterapia.

A recuperação da independência funcional após um problema neurológico é um processo complexo, que exige a reconquista de muitas capacidades. Uma vez que o controle da posição do corpo no espaço é uma parte essencial para a função.

O benefício de ajuste na tonicidade muscular, do movimento automático de adaptação corporal e o controle postural da cabeça e do tronco são decorrentes do ritmo de deslocamento do cavalo ao passo. A adaptação ao ritmo do cavalo é uma das peças mestras da Equoterapia, promovendo uma mobilização ósteo-articular, contração e descontração dos músculos agonistas e antagonistas.

Indicações

   As indicações de atendimento equoterápcio envolvem uma diversidade de patologias que necessitam obter ganhos físicos, psíquicos, educacionais e sociais.

Deficiências sensoriomotoras: tipos clínicos de paralisia cerebral, déficits sensoriais, atraso maturativo, síndromes neurológicas (Down, West, etc.), acidente vascular cerebral, traumatismo cranioencefálico, entre outras.

Distúrbios psicossociais: autismo, hiperatividade, deficiência mental, dificuldade do aprendizado, alterações do comportamento e psicoses infantis.

A equoterapia também é indicada no tratamento nos mais diversos tipos de patologias ortopédicas: Problemas Posturais: cifose, lordose, escoliose; Doenças do crescimento; Má formação da coluna; Acidentes com sequela de fraturas e pós-cirúrgicos; Amputações; Artrite Reumatoide; Artroses; Espondilite Anquilosante; Dismorfismos esqueléticos; Subluxações de ombro ou quadril.

Contraindicações

·         Excessiva lassidão ligamentar das primeiras vértebras cervicais (atlas - axis) ex. Epilepsia não controlada;
·         Portadores de síndrome de Down com menos de três anos;
·        Portadores de síndrome de Down com instabilidade atlantoaxial e com sinais neurológicos avaliados por um profissional com formação médica adequada;
·         Cardiopatias agudas;
·         Instabilidades da coluna vertebral;
·         Graves afecções da coluna cervical como hérnia de disco;
·         Luxações de ombro ou de quadril;
·         Escoliose em evolução, de 30 graus ou mais;
·         Hidrocefalia c/ válvula;
·         Processos artríticos em fase aguda;
·       Úlceras de decúbito na região pélvica ou nos membros inferiores;
·         Epífises de crescimento em estágio evolutivo;
·   Doenças da medula com o desaparecimento de sensibilidade dos membros inferiores (todavia, são conhecidos vários casos de paraplégicos que continuam a praticar a equoterapia);
·     Pacientes com comportamento autodestrutivo ou com medo incoercível;
·         Hemofílicos e Leucêmicos (dependo do caso).

      O futuro praticante de equoterapia deverá passar por uma avaliação clínica, pelo seu próprio médico ou pelo médico da equipe que irá atendê-lo, com a responsabilidade de indicar ou contraindicar a prática de Equoterapia.

     Alguns desses casos podem praticar a equoterapia, porém com um rigoroso controle. Por esse motivo, cada contraindicação deverá ser discutida caso a caso. Como não se tem o direito de arriscar e agravar a situação do paciente com o pretexto da reeducação, a equoterapia é desaconselhada em todas as doenças na fase aguda e no caso de deficiências graves.


 Referências

1. ARAÚJO, A. R. E.A.; RIBEIRO, S. V.; SILVA, F. T. B.; A equoterapia no tratamento de crianças com paralisia cerebral no Nordeste do Brasil. Fisioterapia Brasil, 2010. Disponível em: <http://www.atlanticaeditora.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=797:fb-v11n1-artigo-1&catid=137&Itemid=71> Acesso em: 15 de Nov. 2012.

2. CAVALARI, N.; FERLINI, G. M. S.; Os benefícios da Equoterapia no desenvolvimento da criança com deficiência física. Caderno Multidisciplinar de Pós - Graduação da UCP, Pitanga, 2010. Disponível em: < http://www.ucpparana.edu.br/cadernopos/edicoes/n1v4/01.pdf> Acesso em: 23 de Out. 2012.

3. CEACERO, M. T.; OLIVEIRA, G. A. F.; OLIVEIRA, M. E.; PEREIRA, C. V.; RODRIGUES, M. L.; TEIXEIRA, B. R.; TEODORO, F. I; Equoterapia: O uso do cavalo em práticas terapêuticas. IFMG. Bambuí, 2011. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CDEQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.fisioterapia.com%2Fpublic%2Ffiles%2Fsalvar_como.php%3Ftxt_path%3Dartigo%2Fartigo65.pdf&ei=8jSxUI_9O5Lo8wTfvYCYCQ&usg=AFQjCNFablNaAMyVL9kobhQs8ntHg0fl3w&cad=rjt> Acesso em: 11 de Nov. 2012.

4. COPETTI, F.; MOTA, C. B.; GRAUP, S.; MENEZES, K. M.; VENTURINI, E. B. Comportamento angular do andar de crianças com Síndrome de Down após intervenção com Equoterapia. Rev. Brasileira de fisioterapia, São Carlos, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v11n6/v11n6a13.pdf> Acesso em: 11 de Nov. 2012.

5. GOMES, F. R.; MEJIA, M. P. D.;  Intervenção Fisioterapêutica na Equoterapia em Crianças com Paralisia Cerebral. Trabalho de conclusão de Pós-graduação em Fisioterapia Neuro Funcional. Disponível em: <http://www.portalbiocursos.com.br/artigos/fisio_neuro/14.pdf> Acesso em: 23 de Out. 2012

6. IWABE, C.; MENEGHETTI, C. H. Z.; POLETTI, S.; PORTO,  C. H. S.; Intervenção da equoterapia no equilíbrio estático de criança com síndrome de Down. Centro Univ. Hermínio Ometto, UNIARARAS, Araras-SP. Disponível em: <http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2009/RN%2017%2004/311%20relato%20de%20caso.pdf> Acesso em: 23 de Out. 2012.

7. SILVA, C. M. A percepção das mães de crianças atendidas em Fisioterapia. Universidade Católica Dom Bosco, 2006. Disponível em: <http://www.fisioterapia.com/public/files/artigo/artigo61.pdf> Acesso em: 11 de Nov. 2012.

8. SILVA, J. P.; AGUIAR, O. X.; Equoterapia em crianças com necessidades Especiais. Revista científica eletrônica de psicologia, 2008 – Periódicos Semestral. Editora FAEF, SP. Disponível em: <http://www.revista.inf.br/psicologia11/pages/artigos/edic11anoVInov2008-artigo03.pdf> Acesso em: 15 de Nov. 2012.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Avaliação Uroginecológica em Fisioterapia

A avaliação fisioterapêutica em uroginecologia deve respeitar os princípios básicos que  sugerem a cautela ao lidar com o paciente, pois este geralmente apresenta um certo pudor em relação à sua condição.
É importante respeitar a sensibilidade do paciente, especialmente aqueles vítimas de abuso sexual, informar o papel da fisioterapia no tratamento em urogineco, fortalecer os vínculos de confiança entre o fisioterapeuta e o paciente e traçar um plano de tratamento adequado às suas necessidades. Para isso, deve ser realizada uma anamnese criteriosa.

Anamnese

Na anamnese deve ser recolhido os seguintes dados:
  • Nome
  • Sexo
  • Idade
  • Endereço
  • Telefone
  • Profissão
  • Condição de saúde
  • Queixa principal
  • Antecedentes gineco-obstetrícios: informar o número de partos, abortamentos, tipo de parto.
  • Atividade sexual
  • Expectativas do paciente em relação ao tratamento

Exame Físico

No exame físico deve ser feita a inspeção e a palpação da região do assoalho pélvico para verificar a condição do paciente. Para isso, o paciente deve estar na posição ginecológica: em decúbito dorsal, com os joelhos e quadril fletidos e em abdução, pés apoiados sobre a maca.  
  1. Inspeção: na inspeção devem ser verificados a pele do paciente, se há ou não presença de feridas, se está hiperemiada,  presença de distopias, contração perineal à tosse, entre outros. 
  2. Palpação: devem ser analisadas na palpação a presença de aderências, a sensibilidade, força, a contração, o trofismo muscular. Para essa avaliação,  o paciente deve estar em posição ginecológica. O fisioterapeuta com as mãos enluvadas e lubrificadas utiliza o 2º e 3º quirodáctilos (dedos), penetrando-os de 3cm a 4cm no canal vaginal.
Na avaliação da força muscular, podem ser utilizadas a escala de Ortiz e o esquema PERFECT: 
  • Escala de Ortiz:
- Grau 0: função perineal objetiva ausente, nem mesmo sentida à palpação.
- Grau 1: função perineal objetiva ausente, somente sentida à palpação.
- Grau 2: função perineal objetiva débil, reconhecida à palpação.
- Grau 3: função perineal objetiva presente, mas com força opositora não mantida a palpação.
- Grau 4: função perineal objetiva presente, com força opositora mantida à palpação por mais de 5 segundos. 
  • Esquema PERFECT:
- P (força muscular): avalia a intensidade da contração do assoalho pélvico.
Grau 0: sem contração muscular
Grau 1: esboço de contração muscular, mas sem sustentação
Grau 2: contração muscular de pouca intensidade, mas que se sustenta
Grau 3: contração moderada
Grau 4: contração satisfatória
Grau 5: contração forte.
- E (manutenção da contração): avalia fibras de contração lenta (tipo I). Paciente precisa manter a contração por 10" (segundos) ou mais.
- R (repetição de contrações mantidas): nessa, o paciente necessita realizar contrações de 5", tendo repouso de 4", mas sem alterar a intensidade.
- F (contrações rápidas): avalia fibras de contração rápida (tipo II). É contado o número de contrações em 1". 
- E / C / T: monitoriza todas as contrações realizadas.


Para avaliar  o trato urinário, pode ser feita a avaliação através do STOP TEST. Esse teste é realizado pedindo que o paciente interrompa a micção uma ou duas vezes 5" após o seu início.
Grau 0: não consegue interromper o jato urinário
Grau 1: interrompe o jato parcialmente, mas não consegue mantê-lo
Grau 2: interrompe o jato parcialmente, mas só consegue mante-lo por curto período de tempo
Grau 3: interrompe totalmente o jato, mas mantem um tônus muscular fraco
- Grau 4: interrompe totalmente o jato, mas mantem um tônus muscular bom
- Grau 5: interrompe totalmente o jato, mas mantem um tônus muscular forte.



 

Pelve


A pelve é o ponto de fixação de vísceras abdominais e dos músculos perineais e dos membros inferiores (MMII).  Ela é limitada superiormente pela sínfise púbica, inferiormente pelo diafragma pélvico (músculos do períneo), lateralmente pelos ílios e ísquios e pela face lateral do músculo obturador interno, anteriormente pelo púbis e pela face anterior do obturador interno e posteriormente pelo sacro, cóccix e ligamentos sacrotuberal e sacroespinhal. 
A pelve forma um anel ósseo que protege os órgãos intra-pélvicos (órgãos genitais) e ao se movimentar também auxiliam nos movimentos do quadril e da coluna lombar, fazendo com que o peso  sobre L5 (a 5ª vértebra lombar) se divida em duas partes.  
Na mulher, os ossos da pelve são mais finos e leves, e a sua musculatura é menos proeminente. 
Quanto a forma, na sua abertura superior a pelve pode ser:
  1. Ginecóide: é a mais comum (50%). Tem a forma arredondada
  2. Andróide: tem a forma de copas de baralho
  3. Andropóide: tem a forma oval longa e estreita
  4. Platipelóide: tem uma forma ovóide. 

Pelve Maior ou Falsa

É aquela que se situa na região da abertura superior da pelve. Seu limite anterior é a sínfise púbica e parede abdominal, o limite lateral as fossas ilíacas e, o limite posterior as vértebras L5-S1.

Pelve Menor ou Verdadeira

É a região pélvica que se situa mais abaixo, próxima aos órgãos urogenitais. Seu limite anterior é a sínfise púbica, inferior o diafragma pélvico, lateral o ílio e o ísquio, e o posterior o sacro e o cóccix.

Ligamentos Pélvicos

São os vertebropélvicos e os sacroilíacos.
  • Ligamentos Vertebropélvicos: são o iliolombar (une o ílio a L5) e; sacrotuberal e sacroespinhal (unem sacro ao ísquio).
  • Ligamento Sacroilíaco: se divide em sacroilíaco anterior, sacroilíaco posterior e interósseo. 

Músculos da Pelve

  • Na região anterior e posterior: obturador interno, coccígeo, piriforme;
  • Assoalho pélvico: diafragma da pelve, formado pelos músculos coccígeo e levantadores do ânus - pubococcígeo, puborretal e ileococcígeo.

Os músculos do períneo estão situados entre os membros inferiores (MMII) e inferiormente ao assoalho pélvico, indo da região do púbis até o cóccix. São os responsáveis pelo suporte de peso e controle esfincteriano.
Durante a gestação, essa musculatura é sobrecarregada pelo peso do útero, da placenta e do bebê, podendo provocar incontinência urinária ou fecal e alterações na relação sexual durante e após a gestação.






Aparelho Genito-Urinário Feminino

Os órgãos sexuais femininos são formados por um grupo de órgãos internos e outro de órgãos externos. 


Órgãos Internos

Fazem parte desse grupo ovários, tubas uterinas, útero e vagina.
  • Ovários: localizados próximos às fimbrias, os (dois) ovários são os locais onde o folículo ovariano amadurece uma vez por mês e, é liberado já maduro e pronto para a fecundação; local da produção dos hormônios sexuais femininos (estrógeno e progesterona); 
  • Tubas Uterinas: são dois ductos que ligam ovários ao útero. Apresenta 7cm de comprimento, e formado por células ciliadas que conduzem o óvulo fecundado à parede uterina.
  • Útero: o útero é um órgão oco, muscular, que apresenta 7cm de comprimento, e que é revestido por três camadas (perimétrio, miométrio e endométrio). O útero é ainda dividido em 4 partes: corpo do útero, fundo do útero, istmo e colo do útero.  É o local onde o óvulo fecundado cresce. 
  • Vagina: apresenta de 8 a 10cm de comprimento, é formado por tecido liso e enrugado. É o local por onde a menstruação e o feto passam, e onde o pênis é introduzido. A vagina é protegida externamente pelo Hímen.


Órgãos Externos

Compõem os órgãos externos (vulva), o clitóris, os grandes e pequenos lábios,  vestíbulo da vagina.
  • Clitóris: órgão do prazer sexual feminino, situado na região ântero-posterior da vulva, termina na glande e é coberta pelo prepúcio.
  • Grandes Lábios: pregas cutâneas que protegem os órgãos externos. 
  • Pequenos Lábios: pregas cutâneas menores situadas entre os grandes lábios e o canal da vagina.
  • Vestíbulo da Vagina: fenda situada entre os pequenos lábios, formada pelo óstio da vagina, óstio da uretra e abertura dos ductos das glândulas vaginais.


Trato Urinário

O sistema urinário é formado por dois rins, dois tubos uretrais, a bexiga urinário e a uretra. 
  • Rins: os rins são os órgãos mais importantes do trato urinário, pois são os responsáveis pela filtragem do sangue e formação da urina. Os rins tem a forma de grão de feijão e estão situados entre o peritônio e a parede posterior do abdome. 
  • Ureter: dois tubos que ligam os rins à bexiga, sendo responsáveis pela condução da urina. 
  • Bexiga Urinária: a bexiga é um órgão muscular oco, responsável pelo armazenamento temporário da urina. Nas mulheres ela se situa abaixo do útero, a frente da vagina; nos homens, a bexiga se situa a frente do reto.  
  • Uretra: a uretra é um tubo que conduz a urina da bexiga para o meio externo.  


Ciclo Menstrual

O ciclo menstrual é um processo em que o sistema reprodutor da mulher se prepara para a fecundação. Esse ciclo dura de 28 a 30 dias, tendo início no primeiro dia em que a mulher menstrua e término no último dia que antecede a próxima menstruação.
O sistema reprodutor feminino é controlado pelo Hipotálamo (parte do diencéfalo responsável pelas funções endócrinas, metabólicas e emocionais no nosso corpo). 
O ciclo menstrual é dividido em três fases distintas: fase folicular, fase ovulatória e fase lútea.
  1. Fase Folicular ou Proliferativa: O Hormônio Folículo Estimulante (FSH) seleciona e estimula o desenvolvimento de um folículo, dentro do ovário, afim de que este amadureça. Dentro desse processo, o folículo secreta estrógeno, que prepara a parede interna do útero (o endométrio), para receber o óvulo fecundado. O  estrógeno irá "engrossar" o endométrio e estimular a produção de muco vertical fértil no colo do útero. Quando o hormônio estradiol alcança valores ideais, estimula a produção do hormônio luteinizante (LH), dando início à fase ovulatória.
  2. Fase Ovulatória: A liberação do LH irá amadurecer o óvulo, e este será liberado do ovário para as tubas uterinas (trompas de Falópio), num processo conhecido como Ovulação, que se dá no 14º dia após o primeiro dia de menstruação. 
  3. Fase Lútea ou Secretora:  Nessa fase, o corpo lúteo continua a secretar hormônios. Desta vez, além do estrógeno, também libera progesterona, a fim de continuar a preparação do endométrio para receber o óvulo fecundado. 

Se, em duas semanas, o óvulo que está em uma das duas tubas uterinas, não for fecundado pelo espermatozoide, há uma diminuição hormonal e descamação do endométrio, cominando na menstruação, e dando início a um novo ciclo. 
Nas mamas também sofrem alterações, que acompanham as fases anteriores.
  • Fase de repouso pré-ovulatório: mamas estão normais;
  • Fase de proliferação pós-ovulatória: ocorre o crescimento das mamas, no período que antecede a menstruação;
  • Fase de regressão: involução das mamas após a menstruação.


TPM 

A tensão pré-menstrual ou simplesmente TPM, é uma síndrome que afeta cerca de 90% das mulheres, em sua maioria com idade entre 30 e 40 anos, provocando variações de humor, metabólicas e da alimentação, devido a desequilíbrios hormonais, retenção de líquido, hipoglicemia e nutrição inadequada.

CLIMATÉRIO

O climatério é a fase em que a mulher sai do seu período reprodutivo (que dura cerca de 40 anos), e passa para o período não reprodutivo. Esse processo provoca na mulher alterações hormonais, de humor, temperatura e apetite.










domingo, 23 de setembro de 2012

Disfunção Sexual Feminina

Disfunção Sexual é a incapacidade de participar do ato sexual com satisfação, devido à dor relacionada ao ato ou ao impedimento em uma ou mais fases do ciclo da resposta sexual (desejo-excitação-orgasmo-resolução).
Dificuldades de relacionamento podem levar ao aparecimento de patologias da sexualidade humana e vice-versa. Essas dificuldades podem ou não desencadear ansiedade na pessoa afetada, dependendo do quadro clínico e da visão que a pessoa possui sobre a importância de sexo em sua vida.
As disfunções sexuais femininas podem ser definidas como uma incapacidade de sentir prazer ou até apresentar dores durante as relações sexuais. Podem afetar o desejo sexual e/ou alterar as respostas psicológicas e fisiológicas do corpo frente aos estímulos sexuais, causando sofrimento e insatisfação não só na pessoa, como também no seu par.

COMO IDENTIFICAR A DISFUNÇÃO SEXUAL FEMININA
Para identificá-la é preciso que a mulher vá a uma consulta com o ginecologista que avalie sua condição física. Caso a paciente não apresente doenças ou disfunções que justifiquem a sua falta de interesse pelo contato íntimo uma conversa com um psicólogo será capaz de diagnosticar problemas emocionais que podem afetar esta área de sua vida.

TIPOS DE DISFUNÇÕES SEXUAIS MAIS COMUNS:
1)    Anorgasmia:
A anorgasmia é a dificuldade em atingir o orgasmo, mesmo que haja interesse sexual e todas as outras respostas satisfatórias para a realização do ato. Ocorre com freqüência entre as mulheres – estudos indicam que seria entre 50 e 70% dos casos. Ou seja, a mulher aproveita as carícias e se excita, mas algo a bloqueia no momento do orgasmo.
Além disso, a anorgasmia pode trazer conseqüências negativas. A mulher pode adquirir aversão sexual devido à realização de sexo sem prazer, e sem conseguir adequada lubrificação para o ato, pode ocorrer dor na relação.
Causas: Psicossociais: falsas crendices, falta de informação, tabus, religião, estrutura de valores que supervaloriza a sexualidade e o desempenho sexual, medo de ser abandonada ou engravidar, experiências traumáticas (inclusive obstétricas), falta de intimidade com o próprio corpo e/ou com o parceiro, inexperiência, falta de tempo ou de um local adequado, auto-exigência exacerbada, envelhecimento, culpa, ansiedade, depressão, tensão corporal, educação sexual castradora, desinteresse, insatisfação corporal, baixa auto-estima, excesso de contenção, dificuldade do cotidiano e dificuldade de estar inteira, tranqüila e a vontade no contato com o outro no momento da relação sexual, entre outros.
Orgânicas: algumas doenças, disfunções hormonais, uso imoderado de álcool ou drogas psicoativas e dores na relação.
Outras causas dizem respeito à má-formação congênita - que pode impedir o acesso ao clitóris -, hipertrofia dos pequenos lábios – que pode encobrir o acesso à vagina -, entre outras.
2)    Dispareunia:
É a dor durante a relação sexual. A dor que ocorre durante a relação sexual tem, na maioria das vezes, causas orgânicas. Os fatores psicológicos também podem estar envolvidos. Nesses casos, pode haver associação com trauma sexual prévio, sentimentos de culpa ou atitudes negativas em relação ao sexo.
O exame físico minucioso, com identificação das áreas dolorosas, inspeção detalhada para verificar alterações da anatomia e a presença ou não de lesões vulvares, na maioria das vezes, demonstra a causa. Devemos atentar para causas que podem diminuir a lubrificação vaginal e causar atrofia vulvovaginal, como a menopausa ou o uso de alguns medicamentos.
Infecções vulvares, vaginais, doença inflamatória pélvica, endometriose, retroversão uterina, miomatose, patologias dos anexos (ovários e trompas), aderências pélvicas ou doenças do trato urinário também provocam dor na relação sexual.
3)    Vaginismo:
É a contração involuntária dos músculos próximos à vagina que impedem a penetração pelo pênis, dedo, ou espéculo ginecológico ou mesmo um tampão. A mulher não consegue controlar o movimento de contração, apesar de até querer o ato sexual. Há intenso sofrimento. Também podem aparecer sinais de pânico, como náuseas, suor excessivo e falta de ar quando a pessoa tenta enfrentar este medo, aproximando-se de seu parceiro. Mesmo desejando um contato sexual, há falta completa de controle de suas reações físicas de rejeição.
Vários fatores podem determinar o Vaginismo. Sempre devemos observar se há alguma causa orgânica para dor durante o ato sexual, como os desequilíbrios hormonais, nódulos dolorosos ou infecções nos genitais. O uso de algumas medicações que tenham como efeito colateral a diminuição de lubrificação vaginal também devem ser pesquisados.
            4)    Dor pélvica Crônica (DPC):
É uma dor abdominal baixa que perdura por mais de seis meses de evolução, comprometendo a qualidade de vida da mulher, excluindo a dispareunia profunda e dismenorréia como variações de DPC. Pode ser contínua ou intermitente, cíclica ou não, que persiste por pelo menos dois meses.

AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA
A avaliação deve atender aos aspectos éticos e considerar a relação entre os distúrbios orgânicos e os psíquicos, a terapia deve ser do casal e com abordagem multidisciplinar.
Devem-se considerar, ainda, a idade da mulher e a sua experiência sexual. Mulheres jovens e/ou principiantes costumam apresentar dificuldade para relaxamento/lubrificação, o que é bastante compreensível e não significa disfunção, enquanto não houver experiência sexual suficiente.

TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO
Os métodos fisioterapêuticos utilizados baseiam-se na contração voluntária dos músculos perineais para reeducar o assoalho pélvico e aumentar seu tônus muscular.
a)    CONE VAGINAL: Os cones vaginais buscam efetividade por propiciar um ganho de força e resistência muscular por meio do estímulo para recrutamento das musculaturas pubiococcígea e auxiliar periférica.
b)   EXERCÍCIOS DE KEGEL: Esta técnica auxilia tanto no fortalecimento quanto na conscientização perineal, para melhor controle sobre a musculatura no ato sexual além de uma medida profilática para a saúde com o passar dos anos e acontecimentos que podem interferir no períneo.
c)    BIOFEEDEBACK: O objetivo do tratamento por biofeedback é de ajudar as pacientes a desenvolver maior percepção e controle voluntário dos músculos do assoalho pélvico.
d)   ELETROESTIMULAÇÃO: Este técnica é muito eficaz para a conscientização do assoalho pélvico e reforço muscular, porém, a corrente elétrica deve ser ajustada a um nível em que esta possa ser sentida, mas não ser desagradável para a paciente, suficiente para que seja percebida a contração da musculatura pélvica durante a estimulação.
e)    TOQUE BIODIGITAL: O objetivo dessa técnica é também promover a concientização da musculatura perineal através da contração e do relaxamento mediante o comando verbal.